Despe-te

Aqui vive as tuas emoções e as minhas, livra-te de tudo o resto

Condensa *



.Sempre chega um momento em que a realidade se dispersa numa névoa indistinta, e em que deixas de te guiar pelo teu cérebro.
.Sim, acontece quando a humidade do ar condensa na tua pele, formando pequenas gotas quentes. Quando deslizam pelo teu ombro até serem paradas por uns lábios ávidos, ou para simplesmente evaporarem outra vez, enchendo o ambiente de um intenso nevoeiro.
.Reages de diferentes maneiras a diferentes estímulos, mas quando a razão é ultrapassada, és incapaz de controlar as tuas acções. Fechas os olhos para banir o embaraço, cerras os lábios para silenciar a voz.
.Mas, eventualmente, o controlo escapa-te e os olhos abrem-se para encarar o infinito do desejo no seu olhar e os lábios separam-se para sugar do seu hálito a paixão que invejas. Não abafas um rugido arrebatado porque o teu corpo já não te obedece e move-se descontrolado segundo outras pretensões.
.Agradeces o vapor que disfarça a temperatura da tua pele, o rubor das tuas faces e o perfume do vosso encontro.
.Até ao momento em que tudo pára – todas as reacções inesperadas, todos os fôlegos pesados – e o teu coração perde a pulsação. Tornas-te tão leve como a névoa que vos envolve e tudo é tão simples como o próprio vapor. É tarde para sufocar num beijo as palavras que queres soltar.
.É por esse momento que sempre esperas. É por esse momento que te sujeitas à vulnerabilidade inerente àquele contacto. Por 3 segundos em que podes deixar de existir, permites-te desligar a mente e deixar-te guiar por uns outros braços, por uns outros lábios, por uns outros olhos, por uma fome comum.
.Sempre chega um momento em que a realidade se dispersa numa névoa indistinta e não és de ti, em que deixas de te guiar pelo teu cérebro para seres de um outro corpo.
.Sim, acontece quando um toque carrega a força de mil palavras e um momento vale uma vida.