Despe-te

Aqui vive as tuas emoções e as minhas, livra-te de tudo o resto

Revela-te...


Tudo foste, a nada passaste... mas a tua imagem luta por voltar a penetrar a minha mente, gravando-se no íntimo, imortalizando-se na terra húmida daquele jardim que permanece fechado. De algum modo, conseguiste entrar, mais uma vez, e encontrar o caminho pelo chão brumoso até à clareira que havias criado e reclamado como tua. Mas hesitas. Não compreendo o que representas, não alcanço o que és. És algo que te trancende, mas ignoras. Os olhos sempre brilhantes, o sorriso escondido, o olhar baixo quando algo se descontrola e te apercebes que ris... Fascina-me. Mas continuas envolto no mesmo mistério que naqueles dias, em que a lua estava alta mas tapada pelas nuvens. E eu? Bem, eu continuo a dançar ao luar, com o cabelo solto e a sentir o vento, à espera que as nuvens libertem a noite da escuridão, brindando-me com a silhueta do teu corpo forte. Ao contrário de outros tempos, não arrasto o meu corpo pesado pela erva. O meu espírito flutua livre ao som da música, liberto da pressão, seguindo com a brisa. Ela levar-me-à onde terei de estar, quando for preciso...
Tudo foste, a nada passaste.
Ou talvez não... veremos.