Despe-te

Aqui vive as tuas emoções e as minhas, livra-te de tudo o resto

Shhh



Voltei a mergulhar naquela nossa utopia, de tantos fantasia. Realidade que emerge finamente do sonho...
A chama que consome lentamente o perfume da minha pele queima-me os lábios, ataca sem pudor, sem o receio que afoga a razão. O instinto animal controla-me, torna-me impotente à tua figura macia e nua.
Envolto no escuro, aceso apenas pelo reflexo beijo da lua, invades os meus sentidos, inebrias-me... vejo nos teus olhos a minha alma perdida no tempo, oferecida totalmente ao teu abraço protector, ao teu sorriso apaixonado.
Mais uma onda de calor e o teu cheiro envolve-me, deixa-me tensa. O meu corpo prepara-se, os músculos contraem-se, a temperatura aumenta.
Moldo-me cuidadosamente a ti, controlando a respiração ofegante, mas o calor que emana do teu peito forte atrai-me com mais força que o chão frio que toca as minhas pernas.
Num momento tudo se apaga. Sou fogo e instinto, sou predadora guiada pela sobrevivência.
Ataco num ímpeto de descontrolo, com o desejo palpável no toque, a loucura visível no olhar, a ferocidade latente no beijo. Devoro-te selvatiamente, leoa sedenta, num movimento conhecido repetido naquelas horas.
Apanhado de surpresa, delicias-te com a minha vontade de sugar do teu corpo a essência do teu prazer, e do meu.
Completas-me de imediato, apoderas-te de mim num desvairo em tudo maior que o meu, fazendo esse caminho que a noite te ensinou a conhecer e adorar. Matas e engrandeces a minha fome de ti, puxando-me para mais perto e ainda tão longe. E reentramos nessa espiral que percorremos tantas vezes sob a mesma meia lua.

(...)
Caio extasiada num enlevo melancólico.
Sim, já fui gente, já fui coisa, já fui alma. E agora sou tua.